Descendentes de Frutuoso da Costa Pereira

Info. Históricas


4. Manoel da Costa Pereira Requião

Transcrição do óbito e do Solene Testamento de Manoel da Costa Pereira Requiam
Aos doze dias do mês de Junho de mil setecentos e noventa e seis faleceu da vida presente Manoel da Costa Pereira Requiam solteiro, teria de idade perto de setenta anos pouco mais ou menos, morreu sem sacramentos, por ser muito repentina a morte, que chamando-me fui com toda a pressa, e já estava na eternidade quando cheguei, foi amortalhado com hábito de São Francisco, encomendado por mim na forma do Ritual Romano, levou acompanhamento com Música da terra, foi sepultado dentro da Matriz desta Freguesia de Santa Anna, ao pé da pia de água benta no entrar da porta principal, tinha seu testamento Solene, e autorizado da maneira seguinte = Em nome de Deus amem = Eu Manoel da Costa Pereira Requiam estando molesto de mal que Deus me deu, porém ainda de pé, e em meu perfeito juízo, e entendimento temendo-me da morte como verdadeiro Católico, ordeno meu testamento na forma seguinte = Primeiramente encomendo minha alma a Santíssima Trindade, que a enviou, a Virgem Maria Senhora Nossa, ao Santo do meu nome, Anjo da minha guarda, e a todos os mais Santos, e Santas da Corte do Céu, aos quais peço sejam meus protetores para com Deus. Creio firmemente em tudo quanto a Santa Igreja nos manda crer, e nesta fé protesto viver, e morrer. Declaro que sou natural de São Silvestre de Requiam, Bispado, digo Arcebispado de Braga, Comarca de Guimarães, Termo de Barcellos, filho legítimo de Frutuoso da Costa já defunto, e de sua mulher Maria Pereira Borges, a qual me persuado já ser defunta pela muita idade que tinha = Declaro que meu corpo será envolto em hábito de São Francisco, o qual tenho em meu poder, acompanhado de meu Reverendo Pároco e mais sacerdotes que se acharem, os quais dirão cada um uma Missa de corpo presente por minha alma, da esmola costumada, e dirá a Música da terra havendo-a, e se dará cera aos Reverendos Sacerdotes, músicos, e as pessoas distintas, que acompanharem, e quero ser sepultado ao pé da pia de água benta ao entrar da porta principal, com dois momentos um em casa e outro na Igreja = Quero se digam por minha alma trinta Missas no Convento de São Francisco da Cidade São Paulo da esmola nele costumada = Assim mais se digam neste Arraial três Missas por minha alma da esmola costumada = Deixo quatro oitavas de ouro de esmola para as obras desta Matriz da Senhora Santa Anna. = Deixo oito oitavas para as obras do Senhor Bom Jesus do Mandu = Declaro que devo a Domingos Pereira Dias Vianna, homem de negócio, que morou no Rio de Janeiro, e faleceu nos Campos dos Goitacazes, vinte oitavas de ouro, sem objeção: meu testamenteiro procure se tem filhos, ou herdeiros legítimos para pagar, e não tendo, quero que se pague a algum credor mais pobre do dito Vianna porque este ficou devendo alguns comissários no Rio de Janeiro na Rua dos Pescadores, e isto me tem encaminhado meus confessores, advertindo que se mande admoestar na Freguesia aonde este credor faleceu a ver se aparecem herdeiros legítimos, e solicitando da certidão que os não tem, e então procure o credor mais pobre com certidão de seu Pároco de que entre os mais credores é o mais pobre e se lhe pague. Declaro que não devo nada a ninguém ao presente, porém poderei contrair alguma até morrer sem que pague justificando o credor verbalmente com pessoa de verdade que fiquei devendo, quero se pague sem mais contendas. = Declaro que a parte que me toca nos bens de meus pais na dita Freguesia donde nasci, e ainda em outra qualquer parte, dou de esmola a meus irmãos José, e Anna, moradores na mesma Freguesia, o que em virtude desta verba poderão haver a si como legado que lhes deixo = Declaro que as casas aonde mora minha cunhada Dona Antônia Maria de Jesus Lima são minhas, que as comprei a Francisco Pinheiro, e as consertei, e estão nela morando por meu consentimento, sem que lhe leve alugueis a muitos anos, e consideramos irmãos de nada fizemos (ilegível), e por que eles tem feito benfeitorias, e (ilegível) por evitar desordens, convenho que somente se cobre da dita minha cunhada em refém das casas trinta oitavas de ouro o preço em elas me estão com os consertos que fiz. = Declaro que um (ilegível) que estão neste Arraial abaixo das casas do defunto Duarte, murados com uma casinha em que me costumo a achar, são meus, que os comprei a Manoel Lopes Pinheiro, a José Lopes, e a Manoel Teixeira de Carvalho, porém o muro, cozinha e arvoredo, fez o defunto meu irmão, e por isso somente se hão de avaliar os (ilegível) = Declaro que uma divida que o defunto meu irmão cobrou de Raymundo de Freitas Barcelo, em que houve execução, vistas e embargos, pertencia o principal ao dito meu irmão Francisco da Costa Pereira Requiam, porém eu paguei por ele todas as custas que constarem dos autos, e por isso quero se cobrem da minha cunhada por ser esta a mesma verdade, digo, cunhada mulher do dito meu irmão. = Declaro que logo que eu falecer, meu testamenteiro passe papel de quartamento por tempo de três anos, e em três pagamentos a meu escravo Francisco de nação Banguella, por quarenta oitavas de ouro, a fim de se forrar pelos bons serviços que me tem feito, e tendo pago lhe passe sua carta. = Declaro que os bens que possuo serão todos os que se acharem por meu falecimento, os quais meu testamenteiro logo neles faça proceder a inventário judicialmente, a fim de usar deles para dar cumprimento ao que tenho disposto. = Declaro que pagas as minhas dividas, e cumpridos os meus legados, instituo por universais herdeiros do resto dos meus bens neste Arraial, meus sobrinhos Silvestre, e Francisca filhos de meu irmão Francisco da Costa Pereira Requiam, e na minha terra a meus irmãos dito José e Anna, e a meus sobrinhos filhos do defunto meu irmão Antônio da Costa também moradores na mesma minha Freguesia, para partirem em igual parte, advertindo que os filhos do dito meu irmão Antônio são somente dois que por todos são seis herdeiros aqui nomeados. = Nomeio por meus testamenteiros em primeiro lugar ao Alferes Caetano José de Souza, em segundo a Antônio Salgado de Lima, em terceiro a meu sobrinho Manoel Marques de Oliveira, e em quarto ao (Ilegível) Manoel Salgado de Lima aos quais peço que por serviço de Deus e por me fazerem esmola queiram juntos e (Ilegível) ser meus testamenteiros, para o que os hei por abonados e com livre e geral administração nos bens que me pertencerem com poderes de venderem, cobrarem, receberem, propor ações e defenderem a minha fazenda e ultimamente, de fazerem tudo quanto eu fizera se vivo fosse, e ao que aceitar lhe deixo trinta mil reis de prêmio, ou a vintena, e para dar conta deste testamento concedo, e carecendo mais, quero que se conceda, havendo justa causa, cujo tempo de correrá do dia em que se fizerem partilha no inventário de meus bens, e da minha vontade, que se leve em conta a meus testamenteiros todas as despesas, que fizerem a benefício e que sejam em tudo atendidos em Juízo e fora dele, dando se lhes inteiro crédito. = Declaro que o que se me deve pode constar de créditos e de meus róis. = E por ser esta a minha última vontade pedi a Francisco Pinto Correia de Mello este escrevesse, e como testemunha assinasse, sendo por mim ditado, e somente assinado depois de o ler, e achar conforme o ditei, neste Arraial de Santa Anna do Sapucahy doze de outubro de mil setecentos e noventa e cinco. = Manoel da Costa Pereira Requiam. = Como testemunha que este escrevi a rogo do testador Francisco Pinto Correia de Mello. = E não se continha mais no dito testamento, que me foi apresentado com sua aprovação judicial do que para constar tudo aqui declarei e me assingo.
O Vigário João Alvares Botão