Descendentes de Frutuoso da Costa Pereira

Info. Históricas


Dr. Antônio Soares Gedda

É de origem italiana o jataiense Antônio Soares Gedda, nascido em 7 de julho de 1908 e recordista de mandatos eletivos em Jataí, minha querida cidade natal. Trata-se de uma figura humana exemplar, honrada, de inigualáveis qualidades morais, que passou pela vida semeando o bem. Seus avós vieram de Torino, na Itália, e seu pai, o italiano José Gedda, consorciou-se matrimonialmente com sua mãe jataiense, Ana Soares. Seus familiares mais antigos, integrantes da primeira colônia itálica de Jataí, foram autênticos desbravadores nas terras de Anhanguera.

Seu avô, Antônio Gedda, um visionário que enxergava longe, vislumbrou logo a possibilidade de construir um novo amanhecer nas terras férteis do Sudoeste Goiano. Em Jataí, fixou morada com animus definitivo, plantando ali as sementes da esperança e da prosperidade, para de lá ausentar-se, tão somente, na época de seu falecimento, ocorrido em 1922. Legou a seus sucessores, sobretudo ao filho José Gedda, pai do nosso homenageado, a vocação para o pioneirismo, fazendo-se este acionista e posteriormente presidente por longos anos da Companhia Auto Viação Sul Goiana.

Segundo o laureado e erudito escritor jataiense Filadelfo Borges de Lima, antes de ser presidente da empresa, Antônio Soares Gedda fora “um desses choferes de caminhão do pai, enfrentando atoleiros, buracos, longos percursos, levando riquezas e prestando serviços aos correios no trajeto Jataí-Mineiros”. Até hoje, ninguém em Jataí conseguiu ocupar por mais tempo mandato de vereador do que Antônio Soares Gedda. Foram oito mandatos consecutivos de vereador e prefeito. Para vereador, foi eleito em 1950 e em 1954, elegendo-se prefeito da cidade em 1958, função que exerceu com brilhantismo de 31 de janeiro de 1959 a 31 de janeiro de 1961. Foi ele o grande artífice da emancipação política dos municípios de Caçu, Itarumã, Itajá e Serranópolis. Deixou o executivo para eleger-se novamente vereador, nos anos de 1962, 1966, 1970, 1972 e 1976.

Em quatro oportunidades, mais precisamente nos anos de 1955, 1966, 1971 e 1977, elegeu-se presidente da Câmara Municipal de Jataí. O notável edil, que legou às futuras gerações o precioso patrimônio de sua reconhecida simplicidade e de sua humildade, também presidiu o diretório municipal do Partido Social Democrático. Como prefeito da cidade abelha, embora exercendo esta função num período auspicioso para o município, quando o jataiense José Feliciano Ferreira ocupou o Palácio das Esmeraldas, o Dr. Gedda, como era carinhosamente chamado, administrou a cidade com imensas dificuldades. Assim mesmo, apesar da baixa arrecadação, conseguiu, com muita luta e sacrifício, realizar uma produtiva administração. Concluiu a construção da cadeia pública, calçou inúmeras ruas, abriu e consertou as estradas rurais do município e procedeu, com a ajuda do Estado, a reforma física dos grupos escolares Jataí, hoje Marcondes de Godoy e José Manoel Vilela, os únicos existentes naquela época.

Antes de suas vitoriosas incursões pelos caminhos da vida pública, o jovem Antônio Soares Gedda foi cabo do Exército Brasileiro, estudou em Cravinhos, nas cercanias de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo e em Belo Horizonte. Na capital das alterosas, foi contemporâneo de seu futuro cunhado Serafim de Carvalho, também jataiense, e do companheiro de quarto deste, Juscelino Kubitschek de Oliveira, que viria a ser mais tarde o grande presidente JK, o imortal construtor de Brasília, a Capital da Esperança.

Após concluir o primeiro ano de Direito em Belo Horizonte, transfere-se para a Cidade Maravilhosa, onde, em formando-se, colou grau em 11 de dezembro de 1935, na Universidade do Rio de Janeiro.

Formado, regressa a Jataí. Em sua terra natal, dedica-se às atividades políticas e às lides de fazendeiro, mais do que ao nobre mister da advocacia, que desempenhou com ética e responsabilidade. A 7 de julho de 1938, dia do seu 30 (trigésimo) aniversário, consorcia-se matrimonialmente com dona Doralice de Carvalho Gedda, de cuja união adveio o nascimento dos filhos Marta Sílvia, Marco Antônio, Ana Clara, José Antônio e Francisco Antônio, este último hoje presidente da Metrobus e do Diretório Regional do Partido Trabalhista Nacional, o PTN de Goiás, e que por certo haverá de seguir, com a mesma lisura e dignidade, as pegadas do pai.

É importante registrar aqui que dona Doralice de Carvalho Gedda, a esposa e fiel companheira do nosso homenageado, descende de tradicional família dos fundadores de Jataí. É irmã do médico humanitário Serafim de Carvalho, que Gedda sempre considerou como o maior líder político do Sudoeste Goiano. Extravasando os estreitos limites das lides políticas partidárias, o ilustre e ilustrado cidadão jataiense, cuja honrada figura aqui ousamos homenagear singelamente, foi um dos produtores que ajudaram a instalar a Comigo em Jataí e a fundar o Aeroclube e a Associação Esportiva Jataiense, cujas cores gloriosas tive a honra de defender como jogador e como presidente.

Honra-me sobremaneira poder informar a Goiás e ao Brasil que, ainda nos albores da minha juventude, quando de minha iniciação na vida pública, tive a grata ventura de compartilhar, como vereador, minhas primeiras experiências legislativas, ao lado da figura inolvidável do Dr. Gedda. Confesso que espelhei muitas de minhas ações nos exemplos honrados e dignificantes daquele que fora para mim uma verdadeira legenda da vida pública no sudoeste de Goiás. Em minhas andanças pelos tempestuosos caminhos da vida pública, este político de escol, executivo competente e de invejável tirocínio administrativo, fora inicialmente meu fiel companheiro, para depois transformar-se, por circunstâncias alheias à nossa vontade, em adversário respeitoso e leal, meu verdadeiro instrutor.

Enquanto ainda Jataí não faz vir a público uma expressiva, honrosa e merecida homenagem ao nosso campeão de mandatos legislativos municipais, que haverá de ser estratificada em um museu, ora projetado por Antônio Félix de Sacramento Neto, filho de Marta Silvia e Aluizio Sacramento, compelido pela vontade, pelo desejo e pela necessidade de fazer Justiça, ouso a ele tributar aqui minha singela homenagem. Com alegria e gratidão, abraço fraternalmente todos os membros desta numerosa e tradicional família e o faço em nome de seu patriarca, o pai de família exemplar, o cidadão honesto, honrado e trabalhador, do brilhante parlamentar, do arrojado administrador, do advogado ético e responsável, do político municipalista e conciliador, do mestre dedicado e do amigo dileto e inseparável.

Em 28 de maio do ano passado, faltando apenas 40 dias para completar 100 anos de vida, esta estrela de primeira grandeza da política goiana deixa o nosso convívio para ir brilhar no céu. Só me resta agora plagiar Castro Alves, o grande poeta pátrio: “Vai, mestre, rompe os ares, os céus, os mares, Deus ao chão te amarrou.”

Biografia escrita por Maguito Vilela