Descendentes de Frutuoso da Costa Pereira

Info. Históricas


734. Presciliana Duarte de Almeida

Presciliana Duarte de Almeida, poetisa, nascida em Pouso Alegre a 03/06/1867 e falecida em Campinas aos 13/06/1944. Casou-se em Pouso Alegre, após autorização episcopal datada de 18/05/1892, com seu primo e conterrâneo Dr. Sílvio Tybiriçá de Almeida, advogado, filólogo e poeta, nascido aos 28/08/1867 e falecido em São Paulo no ano de 1924, filho do Desembargador Aureliano Baptista Pinto de Almeida e de Maria da Anunciação Vilhena de Almeida. Na sua cidade natal, com Maria Clara Vilhena da Cunha, lançou um jornalzinho literário, O Colibri, escrito à mão, onde aparecem seus primeiros versos. Em 1890 agrupa suas primeiras composições em Rumorejos, publicado, junto com Pirilampos, de Maria Clara Vilhena da Cunha, prefaciado por Adelina Lopes Vieira. São versos que aparecem na correspondência amorosa enviada a seu primo, e depois marido, o poeta e filólogo Sílvio Tibiriçá de Almeida. Neles Presciliana fala de suas saudades. O que chama a atenção do crítico na leitura deste livro é a simultaneidade de duas estéticas que se esforçam por se identificarem estilisticamente: uma que contextualmente deveria pender na direção da forma poética parnasiana ou da poesia "realista" da época, com Teófilo Dias, Alberto de Oliveira e Bilac quando a idéia da arte pela arte ganhava vanguardisticamente seus adeptos; e outra que, naturalmente, se dirigia para um conteúdo romântico, responsável pela formação literária da poetisa, impregnando-a de temas e gostos que lhe ficaram das leituras escolares e do convívio com a literatura dos românticos. Esta dubiedade entre, digamos, a "forma" e o "conteúdo" vai marcar a sua trajetória poética. Os afazeres domésticos não impediram Presciliana de continuar seu trabalho. A 15 de outubro de 1897, funda e dirige, em São Paulo, onde passou a residir, a revista A Mensageira, de orientação feminina. No número 1, de 15 de outubro de 1897, assim se dirige as escritoras brasileiras: "Que a nossa revista seja como que um centro para o qual convirja a inteligência de todas as brasileiras! Que as mais aptas, as de mérito incontestável, nos prestam o concurso de suas luzes e enriqueçam as nossas páginas com as suas produções admiráveis e belas; que as que começam manejar a pena, ensaiando o vôo altivo, procurem aqui um ponto de apoio, sem o qual nenhum talento se manifesta; e que finalmente, todas as filhas desta grande terra nos dispensem o seu auxílio e um pouco de boa vontade e benevolência. " Em 1906, reúne suas poesias no volume Sombras, prefaciada pelo Conde de Afonso Celso. Neste livro além de poesia encontramos algumas traduções [15]. Ele nos serve também de excelente guia para o conhecimento das intelectuais do século passado, pois composições ali presentes aparecem dedicadas a outras mulheres. Sombras mereceu crítica de Maria Amélia Vaz de Carvalho, um dos maiores nomes femininos de Portugal. Em abril de 1907 o Jornal do Comércio, estampa seu artigo "Uma poetisa brasileira": O livro da Sra. D. Prrsciliana Duarte de Almeida é principalmente o livro de uma mãe, de uma esposa dedicada, de uma mulher que, fora de toda a dúvida, sabe presidir a economia de sua casa com aquela ordem, harmonia e encanto que na sua obra transluz. Em 1908 publica Páginas infantis e em 1914 edita o Livro das aves, em prosa e verso, destinados ao público infantil. Em novembro de 1909, Presciliana Duarte de Almeida é convidada, com o marido, para fundar a Academia Paulista de Letras, onde ingressa na cadeira n° 8, patrocinada por Bárbara Heliodora. Segundo informa Aureliano Leite, sucessor de Presciliana, ela teria feito tal escolha não só porque admirasse a poetisa, como também, pelo fato de ter sido ela sua tia-trisavó. Segundo Oliveira Ribeiro Neto: "atingiu, o nome de Presciliana Duarte de Almeida, na primeira década do século XX, no Brasil, as maiores culminâncias e se justifica a sua entrada triunfal na Academia Paulista de Letras, embora haja quem julgue que ela só ali se sentou por entrar pelo braço do marido. Não há dúvida que a presença de Sílvio de Almeida na Academia contribuiu para a aceitação por parte de Presciliana da honra que se lhe oferecia, pois tinha assim, ao contrário das outras senhoras escritoras [Francisca Júlia e Zalina Rolim] que na ocasião foram convidadas e não puderam aceitar a investidura acadêmica, o braço do marido literato ao qual se apoiaria, à maneira da época, para comparecer às sessões do sodalício." Na imprensa colaborou em vários periódicos: Almanaque Brasileiro Garnier, A Estação (1889-1893), Rua do Ouvidor (1898,1901), A Semana (1893), Tribuna Liberal, A Família, todos do Rio de Janeiro, e O Lutador (1892), de São Paulo e, como já nos referimos, fundou e dirigiu A Mensageira (1897-1899). Escreveu com o pseudônimo de Perpétua Vale e falece em Campinas a 13 de junho de 1944. Vale a pena salientar o sentido de inspiração, de luta pela criação literária, de meta poesia que, conscientemente, aparece no seu poema, como na estrofe:
Por isso dentro em minha alma
Dá-se um conflito travado
Entre o desejo infinito
E o pensamento acanhado!
Aos 75 anos de idade, em 1939, publica o seu último livro de versos, Vetiver, com a indicação de que os poemas são de "vários tempos", verifica-se que a poetisa, não conseguiu se abrir ao modernismo (embora existam dele alguns vestígios), continuando repartida entre uma retórica que se queria parnasiana e uma temática romântica.


738. Dr. Aureliano Roberto Duarte

 

Dr. Aureliano Roberto Duarte, nascido em Santo Antônio de Jacutinga, em dezembro de 1873 e falecido em São Paulo aos 28/09/1965, advogado, Presidente do Tribunal de Ética (OAB-SP), casou-se em Pouso Alegre aos 15/05/1897 com Presciliana de Queiroz Filha, filha de Joaquim Augusto Moreira de Queiroz e Presciliana Leopoldina de Queiroz. Combativo, idealista, dono de uma vasta cultura, brilhante nas atuações. É longa a lista de adjetivos elogiosos que Aureliano Roberto Duarte inspirou aos colegas, ao longo de seus 70 anos de incansável atuação na advocacia e em prol da profissão. Embora não tenha ocupado posições políticas ou administrativas de destaque, era conhecido por seu amor à democracia e à Justiça - como frisaram os inúmeros discursos de homenagem que se seguiram à sua morte. Chegava ao fim uma trajetória que se iniciara na então distante Santo Antônio de Jacutinga, em Minas Gerais. Da família, herdou a tradição e o amor pelas atividades literárias e jurídicas, sementes do famoso brilhantismo de suas atuações. Viveu também um período de ouro na Faculdade de Direito de São Paulo, na turma de 1895. Recém-formado, mudou-se para a cidade de Tietê, interior paulista, onde exerceu a promotoria pública por um breve período. Daí retornou a Minas, para ser juiz de direito na cidade de Pouso Alegre. Em 1900, voltou definitivamente a São Paulo. Advogou na cidade de Mococa, mas sua fama de orador brilhante correu pelas cidades paulistas e acabou precedendo-o na transferência para a capital, onde se estabeleceu, a convite de Reinaldo Porchat e Laurentino Azevedo. Considerado homem de princípios inquestionáveis, rapidamente cresceu em prestígio e reconhecimento. "Era o decano dos nossos advogados", definiu o ministro do Tribunal de Alçada Young da Costa Manso, em 1965, lembrando que, ainda estudante, já presenciava, no Instituto dos Advogados, o respeito dos mais ilustres juristas e advogados pelo brilhante mineiro. Além da competência profissional, o empenho pela classe foi outro ingrediente do reconhecimento conquistado por Aureliano Duarte. Ele se inscreveu na Ordem dos Advogados em março de 1932 e, apenas um ano mais tarde, já iniciava intensa atividade na vida da organização. Ao longo dos anos, foi membro do Conselho e da Comissão de Sindicância. Também atuou como diretor e tesoureiro. Mas foi ao Tribunal de Ética Profissional que dedicou a maior parte de sua atuação. Eleito para o Tribunal pela primeira vez em 1941, no meio do mandato exonerou-se do cargo para integrar o Conselho Penitenciário do Estado, como representante da OAB. A partir da diretoria seguinte, voltou ao Tribunal de Ética, ao qual presidiu de 1948 até 1963, quando foi nomeado seu presidente honorário. Outros orgulhos de Aureliano Duarte eram o fato de ter sido conselheiro da Liga Nacionalista, diretor da Associação de Antigos Alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e partidário de São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932. A Caixa de Assistência também tem uma marca de Aureliano Duarte em sua história. É que ele doou duas apólices da dívida pública para a sua criação, no intuito de dar assistência aos profissionais caídos em penúria, assim como às famílias dos que morressem sem recursos. Ou seja, Duarte deu um passo à frente e Plínio Barreto formulou proposta concreta de organização da Caixa, a seguir legalizada por Armando Sales de Oliveira. Uma passagem constantemente lembrada ocorreu no início da década de 60, quando Aureliano Duarte estava com 86 anos e fez questão de viajar a Brasília. Quase cego e guiado pelo então presidente da OAB, Noé Azevedo, ele declarou na ocasião: "Não posso morrer sem conhecer a nova capital do meu país e a sede do Supremo Tribunal Federal". Esse gesto de dedicação foi retribuído mais tarde, por ocasião de sua morte, na homenagem pronunciada, durante sessão do Supremo, pelo ministro Ribeiro da Costa: "Venho novamente a este plenário propor outra homenagem, já agora a um grande morto... que sempre defendeu o ideal de Justiça, que sempre se bateu pelo direito dos fracos, que sempre se bateu pela democracia. Refiro-me ao ilustre advogado doutor Aureliano Roberto Duarte, mineiro de nascimento, paulista de coração e brasileiro digno de todos os títulos"