Descendentes de Bernardino Teixeira de Tolledo

Info. Históricas


1. Bernardino Teixeira de Tolledo

"Testamento com que faleceu o Capitão Bernardino Teixeira de Toledo".
"Em nome de Deus Amem. Eu Bernardino Teixeira de Toledo assistente nesta Vila da Campanha da Princesa com negócio de Fazenda digo Princesa sem negócio algum ao presente filho legítimo do Capitão Manoel Teixeira Ribeiro, e de Dona Maria Rosa de Toledo natural e batizado na Capela de São Gonçalo, Bispado de Mariana como verdadeiro Católico e sempre constatamos dogmas de fé, e da Santa Igreja, estando enfermo mas em meu perfeito Juízo, entendimento ordeno meu testamento pela seguinte maneira: Nomeio meus Testamenteiros em primeiro lugar a meu mano Joaquim Teixeira de Toledo, e o Tenente Antônio Lopes da Silva e Araújo fazendo ambos uma fé supra. Em segundo lugar o Alferes Manoel de Oliveira Carvalho. Em terceiro ao Reverendo Vigário da Freguesia onde eu falecer a quem deixo a vintena, digo de premio a vintena da terça parte dos bens, que se acharem por meu falecimento, tão somente para guardar meus bens fazer meu enterro; e dar depois parte aos ditos meus Testamenteiros em primeiro lugar nomeados: e aos ditos meus Testamenteiros os deu por assinados e os constituo meus Procuradores bastantes universais para que com que digo, e com livre e geral administração e poder zelem, arrecadem meus bens e fielmente cumpram minhas disposições dentro do tempo de três anos e pelo, que pertenção pio dentro de seis meses. Deixo aos meus Testamenteiros nomeados em primeiro lugar de premio de seus trabalhos, cento e cinquenta mil reis, em atenção a que findo ele só o administrador dos meus bens cobramos deve ter mais trabalho. Declaro, que sou solteiro e já meus Pais não existem porém tendo toda a justa desconfiança de uma menina exposta em casa de meu tio o Revendo José Xavier da Silva Toledo de nome Vitória, e outra de nome Rita exposta em casa de minha tia Dona Joana Antônia de Toledo, são minha naturais filhas, se quer as não sejam, as declaro em tudo minhas universais herdeiras, depois de pagas as minhas dividas e cumpridos os meus legados. Declaro apesar de ser Cavaleiro da Ordem de Cristo desejo, que meu corpo seja envolto em habito de São Francisco de quem sou Irmão professo. Serei acompanhado a sepultura pelo Reverendo Vigário da Freguesia onde eu falecer, e os mais clérigos que se acharem até o numero dez me dirão missa de corpo presente, e tudo se pague conforme o teto do Bispado. - Declaro que no dia do meu enterro se dará na porta da Igreja onde eu for enterrado esmolas de seiscentos reis a vinte pobres dos mais necessitados. Deixo a Dona Rita, filha do finado Manoel de Campos, doze mil reis. Item a Dona Manoela, filha do mesmo trinta mil reis. Item a Dona Luzia, irmã das mesmas doze mil reis. Item ao meu afilhado Joaquim José, filho de meu irmão Antônio, doze mil reis. A Dona Rita filha do finado Manoel Correa (...) doze mil reis; Item a Dona Maria do Nazeré doze mil reis. Item a Dona Anna (?) de Alvarenga, irmã desta, doze mil reis. Item cento e vinte mil reis, a meu irmão Francisco Teixeira para comprar uma escrava para suas filhas na qual ele só terá uso e as dita filhas o Senhorio, por cuja razão só poderá ser vendida ou alienada a escrava, que for superar por elas minhas sobrinhas, e declaro, que desta esmola já passei um credito ao dito meu irmão a outra do que cumprida uma cousa outra não terá vigor: Item as filhas do meu falecido irmão Luís, cento e vinte mil reis, para comprar um negrinha para servir as ditas minhas sobrinhas a qual ela não poderá ser tirada por dividas de seus pais. - Declaro que sou irmão da Irmandade do Senhor dos Povos desta Freguesia. - Declaro que sou irmão da Terra Santa. - Declaro que sou irmão nomeado do Senhor Bom Jesus de Congonhas do Campo. - Declaro que sou irmão de Nossa Senhora do Rosário desta Vila e alem dos anuais lhes deixo doze mil reis para suas obras. Declaro que sou irmão da Archicomfraria de São Francisco desta Vila, e ainda não paguei a minha remissão, lhe deixo alem dela vinte mil reis de esmola para ajuda de suas obras. Deixo a Nossa Senhora das Mercês desta Vila para ajutório de suas obras doze mil reis. - Declaro se digam cinquenta missas pela minha alma de esmola de seiscentos reis, as quais foram postas em pauta logo que eu falecer na porta da Sacristia para que se digam com prontidão e sejam ditas em altar privilegiado se houver. Item cinquenta missas pelas almas de meus pais, e avós pela mesma maneira acima: Item vinte e cinco pelas almas de meus irmãos, tios, e mais parentes falecidos, da mesma maneiro acima: - Item vinte missas pelas almas de todas as pessoas com quem tive negocio em minha vida: Item vinte missas pelas Almas de todos aqueles, que fui causa de que ofendessem a Deus: - Item vinte pelas Almas do Purgatório: - Item pelas Almas de meus escravos falecidos. - Declaro que os meus bens constam de dividas, que findou por créditos Reis e mais clarezas um escravo mais trastes de casa e tudo quanto mais se acham por meu falecimento. - Meus Testamenteiros pagarão todas as minhas dividas digo todas as dividas que eu justamente dever, estando certas: E se alguma pessoa capaz e de boa consciência cobrar alguma divida, que eu lhe deva sem que mostra clareza ou carga no Livro de Razões ao qual me reporto neste caso, quero, que até dez oitavas se pague só com a exigência do Juramento dos Santos Evangelhos, bem como sendo capaz e de boa consciência até duas oitavas sem ele, e com os recibos destes meus Testamenteiros acreditados nas contas, que derem pois, que não é minha intenção gravar a ninguém, e menos a minha confiança:- Declaro, que devo na praça da Corte do Rio ao Coronel Barroso, o que constar dos créditos, que o mesmo apresentar: Item o mesmo ao falecido Capitão José Dias da Cruz o que constar de resto do meu credito. - Declaro, que ponderando melhor sobre a verba em que determino se digam dez missas pelas Almas de meus escravos falecidos aí por reformada por quanto não me lembra, que até o presente me faleceu escravo algum, e determino se digam as mesmas dez missas, pelas Almas do Purgatório além das que já determinei: - Declaro mais, que o meu escravo Modesto crioulo será pelo meu falecimento avaliado e do seu justo valor lhe abato trinta mil reis para efeito de ficar aquartado, e peço a meus Testamenteiros o façam trabalhar até fazer o preço do seu quartamento. - Uma imagem de Nossa Senhora da Conceição com seu oratoriozinho por meu falecimento a deixo a meu tio o Coronel Francisco Sales se ainda o mesmo for vivo e por seu falecimento ficará pertencendo a Capela do Arraial de Santa Luzia aonde o mesmo meu tio Coronel reside. - Declaro que em atenção a ser preciso algum tempo para meus Testamenteiros cobrar minhas dividas lhes deixo mais o tempo de um ano para darem contas do meu Testamento cujo ano é além dos três: e tendo o tempo de quatro anos não tiverem dado as contas por causa de ser lhes preciso ultimar as cobranças, de que findar nesse caso requererão ao juízo da conta, que lhes atenderá com mais tempo: - Declaro que logo que o dito meu escravo Modesto houver pago o preço de seu quartamento meu Testamenteiro lhe pagará carta de liberdade imediamente. Este é fielmente o meu Testamento última vontade que mandei escrever pelo advogado Alexandre José dos Passos Herculano, o qual com testemunha comigo abaixo se assina.
Vila da Campanha da Princesa vinte e quatro de setembro de mil oitocentos e quatorze.
Bernardino Teixeira de Toledo
Com testemunha que este escrevi e vi assinar Alexandre José dos Passos Herculano. E segue a aprovação do Tabelião João Jacomé de São José e Araújo.
O Vigário José de Souza Lima."